Pinóquio (Buratino, 2026): revendo o clássico

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Por Joyce Oliveira

Assisti a “Pinóquio” (título original: Buratino), a nova adaptação russa dirigida por Igor Voloshin, e a primeira impressão que fica é a de um filme que poderia ter sido muito mais do que entregou. A produção, inspirada no universo de Alexei Tolstói e não no clássico da Disney, tem ideias originais e ousadia, mas esbarra em problemas graves de divulgação, ritmo e execução técnica.

A trama foge completamente do convencional. Em vez do Grilo Falante, temos três baratas que vão pedir um milagre à tartaruga Gepeto. Diante da negativa, elas roubam o tal milagre, e assim o carpinteiro finalmente ganha seu filho de madeira, Pinóquio. A premissa é criativa e rende momentos genuinamente divertidos. O filme também acerta ao abordar temas delicados com leveza, como as mentiras do protagonista e sua dificuldade em reconhecer os esforços do pai, mantendo o espírito dos livros e das versões clássicas.

Foto: IMDB

No entanto, os problemas começam antes mesmo de a sessão iniciar. A divulgação foi praticamente inexistente, e o trailer, excessivamente curto e genérico, não instiga o público a dar uma chance à produção. É uma pena, porque a obra tem sim qualidades, mas o descaso com o marketing afasta justamente os fãs que poderiam apreciar uma releitura corajosa.

Tecnicamente, o filme oscila. Os figurinos e cenários são caprichados, e há boas atuações, especialmente de Fyodor Bondarchak como Karabas-Barabas. Por outro lado, a animação das baratas deixa a desejar, parecendo apressada e inacabada em alguns momentos. O ritmo é lento, carregado de divagações filosóficas que cansam, especialmente na reta final. E a decisão de substituir o Grilo Falante por insetos urbanos, embora curiosa, gera mais estranhamento do que encantamento.

No fim das contas, “Pinóquio” (Buratino) é um filme que diverte em partes, mas não sustenta o peso de suas ambições. A falta de divulgação é apenas o primeiro de uma série de tropeços que incluem execução irregular e ritmo prejudicado. Para quem tem filhos, pode até render uma tarde diferente, mas com ressalvas: a classificação indicativa é 12 anos, e a atmosfera mais sombria não agrada a todas as idades.

Vale como curiosidade para quem já conhece o universo russo de Buratino. Para o público geral, fica a sensação de potencial desperdiçado.

Nota: 4/10

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