Extermínio: A Evolução chegou recentemente aos cinemas brasileiros e tem dividido fortemente a opinião do público. Dirigido novamente por Danny Boyle e com roteiro de Alex Garland, o filme marca o aguardado retorno à franquia iniciada em 2002 com Extermínio (28 Days Later). Agora, mais de duas décadas depois, a obra assume uma nova roupagem — mais madura, introspectiva e politicamente carregada — sem abandonar completamente sua essência visceral.
Fomos convidados pelo Espaço Z para conferir o longa em cabine de imprensa, e o que vimos foi uma experiência em quatro atos, onde cada fase carrega uma carga simbólica e emocional distinta — da esperança à brutalidade, do trauma coletivo ao colapso moral.
Sinopose
Anos após o primeiro surto do vírus da raiva que devastou o Reino Unido, um novo grupo de personagens emerge em meio às cinzas da civilização. Com o passado ainda assombrando a memória coletiva, e o presente mergulhado no caos, jovens sobreviventes tentam cruzar territórios hostis, onde a ameaça evoluiu — não apenas biologicamente, mas socialmente e emocionalmente. Extermínio: A Evolução estreou no Brasil em 20 de junho de 2025 e conta com Aaron Taylor-Johnson, Jodie Comer, Ralph Fiennes e Alfie Williams no elenco.
Crítica
Primeiramente, ao longo de suas quatro fases narrativas, o filme propõe reflexões que vão muito além da estética do apocalipse. Spike encarna uma juventude em ruínas, marcada pelo medo, pela solidão e pela falta de referências. Exércitos se desmoralizam, governos desaparecem e líderes perdem qualquer propósito, escancarando o colapso das instituições. O vírus, por sua vez, surge como uma herança emocional, uma metáfora para o trauma coletivo que atravessa gerações. A fragilidade da esperança aparece nos breves momentos de calmaria, que logo se transformam em tragédia. E a vigilância tecnológica, por meio de drones e câmeras, reforça a sensação de controle vazio e desumanização.

Foto por Miya Mizuno/Miya Mizuno – © 2024 CTMG, Inc. All Rights Reserved.
Filme dividido em etapas
Assim como Jonas, nosso editor que conferiu o filme em primeira mão, dividimos a experiência em quatro etapas distintas. A primeira etapa é forte e imersiva. O início do filme é uma explosão sensorial. Boyle retoma o domínio da tensão com maestria, utilizando câmeras dinâmicas, trilha sonora perturbadora e ambientação crua. Somos jogados de volta a um mundo desolado, onde cada passo é uma ameaça e cada personagem carrega um passado pesado. Essa fase reacende a lembrança do primeiro Extermínio, com adrenalina e caos bem equilibrados.
Na segunda etapa, o ritmo muda, e a narrativa passa a focar nos laços humanos, especialmente no jovem Spike. Aqui, o filme se arrisca ao trocar o terror pelo drama, mas o resultado é desigual. Apesar de propostas interessantes, como mostrar o peso emocional do novo mundo, o filme se arrasta e perde parte da tensão. Para alguns, esse trecho adiciona profundidade. Para outros, quebra o ritmo de maneira brusca.
Retomada
Além disso, a terceira etapa representa uma retomada envolvente. Após um segundo ato mais introspectivo, o filme reencontra sua pulsação com cenas mais intensas e interações decisivas entre os personagens. Portanto, o trio central brilha e a tensão volta a escalar. Destaque especial para Alfie Williams, que entrega uma performance visceral, equilibrando inocência e coragem. A sensação é de reencontro com o espírito original da saga — brutal, incômodo e emocionante.

Extermínio: A Evolução (2025)
Ralph Fiennes and Jodie Comer in Extermínio: A Evolução (2025) – Sony Pictures
Ademais, infelizmente, a quarta etapa deixa a desejar. Sobretudo, o ápice do filme não sustenta tudo o que foi construído. A conclusão soa apressada, algumas motivações parecem frágeis e certos personagens somem sem resolução. Há também decisões narrativas que parecem existir apenas para chocar — e não necessariamente para concluir arcos de forma coerente. O desfecho deixa um gosto agridoce, como se o filme tivesse algo grande a dizer, mas perdesse a voz no último instante.
Conclusão
Por fim, Extermínio: A Evolução é um filme corajoso. Ele tenta ser mais do que um terror sobre infecção: é uma reflexão sobre legado, trauma e a impossibilidade de recomeçar sem carregar os escombros do passado. Ainda assim, tropeça no caminho, com uma estrutura desigual e um final que divide opiniões. Para quem procura uma obra atmosférica, simbólica e fora da curva — é uma pedida ousada. Para quem espera uma continuidade linear dos filmes anteriores ou terror direto e conciso, talvez seja melhor ajustar as expectativas.
Nota final: ⭐️⭐️⭐️ (3/5)
Você já assistiu? Conta pra gente se a sua experiência também pode ser dividida em quatro atos. Ou será que o seu “extermínio” foi diferente?
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